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19/04/2021 - Ciências

Entre a Lua cheia e ...

Tupinambá com arco e flecha, Albert Echout, 1643 ”Os tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois...

19/04/2021 - Ciências

Entre a Lua cheia e a Lua nova … aprendendo com os Tupinambás

Tupinambá com arco e flecha, Albert Echout, 1643

Os tupinambá atribuem à Lua o fluxo e o refluxo do mar e distinguem muito bem as duas marés cheias que se verificam na lua cheia e na lua nova ou poucos dias depois”.

Claude d’Abbeville , 1612.

Assim o missionário francês Claude d’Abbeville relata um pouco do conhecimento sobre as marés, nos indígenas brasileiros Tupinambás, com quem ele conviveu ao longo de 4 meses no território que abriga atualmente o Estado do Maranhão. Em seu livro “Histoire de la mission de pères capucins en l’Isle de Maragnan et terres circonvoisines”, publicado em Paris em 1614, ele descreve o conhecimento dos indígenas em relação a localização geográfica, movimento do Sol, contagem dos anos, períodos com abundância de caça (lua nova) e com mais mosquitos ou percevejos (lua cheia).

Galileu Galilei é considerado o pai da astronomia, que é considerada a mãe de todas as Ciências, seu livro “Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo; ptolomaico e copernicano”, publicado em 1632, propõe que as marés são resultado dos movimentos de rotação e translação da Terra, sem considerar a influência da Lua.

Somente em 1687, setenta e três anos após a publicação de d’Abbeville, Isaac Newton demonstrou que a causa das marés é a atração gravitacional do Sol e, principalmente, da Lua sobre a superfície da Terra. Esses fatos mostram que, muito antes da Teoria de Galileu, que não considerava a Lua, os indígenas que habitavam o Brasil já sabiam que ela é a principal causadora das marés.”

Assim o professor Germano Afonso, doutor em Astronomia nos apresenta em um artigo de 2009 a informação de que muito antes da sistematização científica os indígenas já utilizavam conceitos da Astronomia como meio de garantir sua sobrevivência no ambiente natural, respeitando e estabelecendo as devidas relações com os ciclos naturais. Assim como outros povos ao redor do mundo desenvolveram o que hoje chamamos de Etnostronomia.  Surpreendente não?

Para entender melhor como é possível que os indígenas e/ou outros povos primitivos conhecessem mais alguns princípios astronômicos, antes mesmo de existir a Ciência Astronomia descrita exemplarmente nas obras do próprio Galileu, é necessário resgatar um pouco sobre a concepção de Ciência e os diferentes tipos do conhecimento humano.

O mérito de Galileu e outros cientistas europeus foi o de sistematizar as observações e os seus estudos, por meio da experimentação e da publicação de obras com os resultados dos experimentos e as suas conclusões, estabelecendo a Ciência como conhecemos até os dias de hoje, sistematizada em um método próprio (método científico), em busca de respostas para fenômenos naturais ou não, que são observados e testados a fim da  confirmação de hipóteses, que muitas vezes são aceitas ou refutadas. Isto é Ciência.

O conhecimento indígena aqui descrito faz parte de um saber que podemos chamar de ancestral, passa de geração em geração por meio de histórias, da observação do ambiente e dos ensinamentos dos anciões na aldeia. Diferentemente da Ciência este conhecimento não é experimental, não é publicado e nem precisa ser provado ou refutado, ele tem um caráter empírico, funcional, prático, construído por meio da observação, tentativa e erro e utilidade que garante a sobrevivência do povo indígena.

Neste mês em que se comemora o dia dos povos indígenas, deixo aqui esta reflexão sobre os diferentes tipos de conhecimento e a sua utilidade para o desenvolvimento de cada sociedade, entender como o mundo funciona através de olhares diversos valoriza outras formas do saber, acrescenta informações  o que após a nossa reflexão e mediação pedagógica pode ajudar na construção de um  conhecimento escolar em cada área do conhecimento, que seja mais significativo aos alunos.

E você? Como trabalha com esta data comemorativa nas suas aulas? Conte nos comentários o que pode ser feito em suas aulas para valorizar a cultura indígena.

Atenciosamente

Assessoria de Ciências da Natureza.

Saiba mais em: http://educadores.aprendebrasilon.com.br/blogassessoria/category/ciencias/

 

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26/03/2021 - Educação Infantil

Baú de Ideias ̵...

Olá professor (a)! Aprender brincando e brincar aprendendo! As brincadeiras são peças fundamentais na Educação Infantil. Não se trata de apenas distrair as crianças. Brincar contribui para o desenvolvimento físic...

26/03/2021 - Educação Infantil

Baú de Ideias – Brincar com crianças pequenas

Olá professor (a)!

Aprender brincando e brincar aprendendo!

As brincadeiras são peças fundamentais na Educação Infantil. Não se trata de apenas distrair as crianças. Brincar contribui para o desenvolvimento físico, social, cultural, emocional, afetivo e cognitivo. O brincar e o jogar são momentos sagrados na vida de uma criança. É com essa prática que as crianças ampliam seus conhecimentos sobre si mesmas, os outros e o mundo ao seu redor, desenvolvem múltiplas linguagens, exploram e manipulam objetos, organizam seus pensamentos, descobrem regras e agem com as regras, assumem papel de líderes e interagem com outras crianças, preparando-se para um mundo socializado.

Por falar em brincar, que tal propor uma para as crianças?

Empresta-me sua casinha

Material: giz de quadro ou se a escola tiver, bambolês.

Desenvolvimento: trace com giz no chão pequenos círculos (um círculo a menos que  o número de participantes) e um círculo central ou distribua os bambolês da mesma forma.

Cada círculo será ocupado por uma criança, a que não tem casa diz:

– Empresta-me sua casinha?

As outras respondem:

– Pois não!

Nesse momento, todas deverão trocar de lugar, enquanto a criança no centro procurará ocupar um dos círculos vagos. Se conseguir, será substituída pela criança que ficar sem lugar. Caso contrário, voltará ao círculo central para recomeçar a brincadeira.

E aí, professor, o que achou dessa nossa sugestão?

E você, como trabalha essa brincadeira com seus alunos? Comente e compartilhe com a gente.

Forte abraço e até o próximo post!
Equipe Assessoria Educação Infantil
Se desejar falar conosco, envie e-mail para: edinfantil@aprendebrasil.com
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  • Muito legal, semelhante a brincadeira do “coelhinho sai da toca”, brinquei muito na infância.

    • Que bacana, professora!
      E como essas brincadeiras são divertidas e ricas em aprendizados, não é?
      Um abraço,
      Adrianna

    • Que bacana, professora!
      E como essas brincadeiras são divertidas e ricas em aprendizados, não é?
      Abraço!
      Adrianna

17/03/2021 - Língua Inglesa

Você já ouviu fala...

Hello everyone! Happy Saint Patrick’s day! Hoje, iniciamos com um dizer irlandês: “May your troubles be less. And your blessings be more. And nothing but happiness come through your door.” — Irish blessi...

17/03/2021 - Língua Inglesa

Você já ouviu falar sobre Saint Patrick’s Day?

Hello everyone! Happy Saint Patrick’s day!

Hoje, iniciamos com um dizer irlandês:

“May your troubles be less. And your blessings be more. And nothing but happiness come through your door.” — Irish blessing

Ah, já trabalhei em tantas escolas que não deixavam passar em branco essa data! Traz sorte! Usávamos um trevo de quatro folhas verde na roupa. Alguns usavam verde. E fazíamos muitas atividades divertidas como passar um chapéu de Leprechaun pela sala enquanto a música toca, e ao parar, a criança responder alguma pergunta sobre a Irlanda. Houve também caça-palavras com todo o vocabulário que a data representa data: rainbow, gold, shamrock, Irish, luck, leprechaun, green. Um dos principais símbolos dessa data é o trevo de quatro folhas, shamrock. Acreditam que encontrar um trevo de quatro folhas é um sinal de sorte. Ele é o símbolo nacional da Irlanda.

Você já percebeu que nesse dia, em alguns lugares do mundo as pessoas usam roupas e acessórios verdes? Em New York, the St. Patrick’s Day Parade é a maior do mundo, comemorada desde 1762. Veja algumas das fotos da parada:

 

https://www.lohud.com/story/news/2019/03/16/new-york-city-st-held-its-258th-annual-patricks-day-saturday/3186825002/

Todo ano, a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, tinge de verde o Chicago River para comemorar o dia de São Patrício e homenagear a Irlanda – essa tradição acontece há 59 anos, segundo reportagem da ABC News.

ABC News https://abcnews.go.com/US/chicago-limits-st-patricks-day-celebrations-continues-river/story?id=76436645

Saint Patrick é o santo patrono da Irlanda. era inglês e só chegou na Irlanda aos 16 anos. Um dos seus maiores feitos, segundo lendas, é ter banido todas as cobras da Irlanda. A Irlanda é conhecida como Emerald Island (ilha esmeralda) pelo verde das suas colinas. Há ainda o verde da bandeira da Irlanda. Conta a lenda que se você usar verde nesse dia vai evitar de ser beliscado por um Leprechaun, caso encontre um – segundo lendas irlandesas.

Leprechauns são criaturas mágicas, um tipo de fada do folclore irlandês. São arteiros, usam chapéu verde e têm cabelo e barba ruiva. São shoemakers e sabem onde encontrar ouro. Diz a lenda que se você consegue capturar um leprechaun poderá negociar a liberdade dele com seu pote de ouro, que está no final do arco-íris e ele saber como alcançá-lo.

Uma brincadeira que pode ser feita com os alunos é descobrir o nome de seu leprechaun, e assim revisar meses do ano e as letras do alfabeto, no 4 e 5 ano:

Em: https://www.daveswordsofwisdom.com/2015/03/whats-your-lucky-leprechaun-name.html

Além dessa brincadeira dos nomes, você vai encontrar muitas outras atividades e brincadeiras sobre essa data.

Aqui links para muitas atividades!

https://www.education.com/worksheets/st-patricks-day/

https://www.superteacherworksheets.com/reading-comp/3rd-pot-of-gold_POTOG.pdf

https://www.dltk-holidays.com/Patrick/worksheets.htm

“May your heart be light and happy,

May your smile be big and wide,

And may your pockets always have a coin or two.”

Cassiana Beghetto

 

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11/02/2021 - Ciências

11 de fevereiro: Dia...

Olá professores(as)! Tudo bem? Entre 10 e 11 de fevereiro de 2015, a ONU e a RASIT (Royal Academy of Science International), uma ONG que promove a educação de jovens para a Ciência realizaram um fórum sobre desenvol...

11/02/2021 - Ciências

11 de fevereiro: Dia Internacional das mulheres na Ciência.

Olá professores(as)!

Tudo bem?

Entre 10 e 11 de fevereiro de 2015, a ONU e a RASIT (Royal Academy of Science International), uma ONG que promove a educação de jovens para a Ciência realizaram um fórum sobre desenvolvimento e saúde feminina na sede da ONU em Nova York. Durante o evento foi criada uma declaração alertando a comunidade científica e a população em geral sobre as desigualdades que afetam as cientistas em relação a sua produção, oportunidades e financiamento para pesquisa, mercado de trabalho, e salário em relação aos cientistas homens que desempenham as mesmas funções.

Desde então, o dia 11 de fevereiro, passou a ser conhecido como “Dia Internacional das mulheres na Ciência”, data na qual estes e outros temas são lembrados e debatidos para que esta desigualdade de gênero não se perpetue e possa ser denunciada, buscando sempre a equidade entre os pesquisadores e as pesquisadoras que fazem com que a Ciência evolua e atenda a um número cada vez maior de pessoas.

Para comemorar esta data, escolhi indicar três livros que abordam o papel das mulheres na Ciência e a importância das suas pesquisas para o desenvolvimento da sociedade, abaixo seguem breves sinopses sobre os livros indicados.

“As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo” escrito e ilustrado por Rachel Ignotofsky é uma maneira didática e divertida para conhecer um pouco mais sobre algumas mulheres que contribuíram de alguma forma para a ciência, sendo retratadas desde químicas e físicas até astronautas, paleontólogas e muitas outras cientistas das mais diversas áreas.

Além disso, o livro conta com lindas ilustrações, que acabam por tornar a leitura mais dinâmica e interessante, principalmente para as crianças.

O livro traz também infográficos que mostram a variedade dos equipamentos de laboratório, índices de mulheres que trabalham com ciência atualmente e um glossário de termos científicos.

Outro fator de grande importância é que mostrar as mulheres em papéis tão importantes e envolvendo a área da Ciência, que sempre foi dominada pelos homens, acaba incentivando e mostrando para as meninas que elas podem e devem ocupar todos os lugares que tiverem vontade e curiosidade.

O livro “Extraordinárias – mulheres que revolucionaram o Brasil”, escrito por Aryane Cararo e Duda Porto de Souza, apresenta além das cientistas brasileiras, nomes da arte, política, moda, esportes, entre outras profissões que foram revolucionárias em suas atividades e assim contribuíram para o desenvolvimento nacional. O texto apresenta a grande diversidade feminina brasileira, sem levar em conta etnias e religiões, o que nem sempre encontramos em outras obras, importante para mostrar a força feminina na luta pela igualdade e na defesa dos seus ideais.

Por fim, indico “A visita de Marie Curie ao Brasil”, dos autores João Pedro Braga e Cássius Klay Nascimento, publicação da Editora Livraria da Física, livro muito detalhado, os autores utilizam arquivos do noticiário da época, em um trabalho de pesquisa histórica e científica bastante rigorosa para descrever o período entre os dias 15 de julho e 28 de agosto de 1926 em que Marie Curie visita o Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte. Além de relatar a importância desta visita para a Ciência brasileira o livro traz uma mini biografia da ganhadora de dois prêmios Nobel.

Espero que gostem das indicações e explorem todas as possibilidades de abordagem dos conteúdos indicados nas suas  aulas de Ciências, agradeço ainda a @livrosvorazes pelas dicas e ajuda na sinopse de As Cientistas.

Bom retorno e viva a Ciência!

Marco Aurelio P. Bueno

Assessoria de Ciências da Natureza.

 

 

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21/12/2020 - Educação Infantil

Quarentena brincante...

Queridos pais, crianças e professores! Essa postagem é apenas para deixar um recadinho bem especial para todos! Estamos chegando ao final de 2020! Um ano atípico, diferente, o qual tivemos que fazer diferente, nos res...

21/12/2020 - Educação Infantil

Quarentena brincante para crianças de todas as idades

Queridos pais, crianças e professores!

Essa postagem é apenas para deixar um recadinho bem especial para todos!

Estamos chegando ao final de 2020! Um ano atípico, diferente, o qual tivemos que fazer diferente, nos ressignificar, nos reinventar. Passamos por muitas surpresas agradáveis, outras nem tanto, inseguranças, medo, ansiedade, que nos fizeram repensar nossas atitudes, nossos planos, nossas ações, nossos sentimentos e valores!

Foi muito bom estarmos juntos nesse ano de 2020!

Passamos por muitos desafios e a companhia de todos vocês nos motivou a continuar trabalhando para impactar positivamente a educação. Certamente, terminaremos o ano mais fortes, experientes, mais unidos e com o coração transbordando de alegrias por ter realizado o nosso melhor.

Que as incertezas vividas nesse ano se traduzam em aprendizado para a construção de um ensino cada vez mais significativo e de qualidade e que o amor esteja presente no coração de cada um de vocês!

 

Feliz e Abençoado Natal e que 2021 seja repleto de paz, saúde e prosperidade!

Um fraternal abraço!

Equipe de Assessoria da Educação Infantil

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17/11/2020 - Língua Inglesa

Afinal, o que é lí...

ILF ou ELF O termo ‘inglês como língua franca’, representado pelo acrônimo ILF ou em inglês ELF (English as a lingua franca), refere-se à ideia de que a língua inglesa hoje é mais utilizada em situações que ...

17/11/2020 - Língua Inglesa

Afinal, o que é língua franca?

ILF ou ELF

O termo ‘inglês como língua franca’, representado pelo acrônimo ILF ou em inglês ELF (English as a lingua franca), refere-se à ideia de que a língua inglesa hoje é mais utilizada em situações que envolvem falantes não nativos de inglês do que em situações em que nativos se comunicam. Ou seja, ela não pertence àquela comunidade de falantes específica, nem à corte inglesa. Ela é franca, neutra, pertence a quem dela fizer uso.    A BNCC, documento oficial que estabelece habilidades e competências a serem desenvolvidas na educação básica, enfatiza a importância de se esclarecer aos alunos essa característica do inglês como língua franca.

Língua franca, ensino e identidade

Para o professor de língua inglesa é essencial perceber que a língua é social, que ela revela muito da cultura e dos costumes de cada região em que é falada. A língua revela a identidade de um povo. Ao falar, a pessoa revela de onde vem, país, classe social, cultura, estudo, gênero, profissão. À medida em que cada um se expressa, muitas características típicas da sua cultura são reveladas: comportamentos, gestos, sotaques, escolhas de palavras, todos são fatores reveladores. Se a língua é parte da identidade, essa identidade no contato com uma cultura estrangeira é reafirmada, repensada e reconstruída. Por isso é fundamental perceber a importância do uso e do ensino da língua inglesa como língua franca. O professor ensina uma língua com a qual o aluno irá se comunicar tanto para falar com falantes nativos como para falar com estrangeiros. É comprovado que hoje a língua inglesa apresenta mais falantes não-nativos do que nativos.

Inglês internacional, global ou mundial

H. Douglas Brown há alguns anos utilizou a expressão International English para falar dessa característica de língua a ser utilizada além das fronteiras de onde é falada por nativos. World English é o termo que Ragajopalan adotou para explicar a condição da língua inglesa como língua internacional, que não pertence a nenhuma nação. Segundo esse autor, a língua inglesa deixou de ser monopólio dessa ou daquela nação, ela pertence a quem dela fizer uso. Da mesma forma, David Crystal utiliza o termo Global English para explicar o fato de que essa língua é falada em todo o globo. Todos os três autores, que sao referências para formaçao de professores e estudos de metodologia de língua inglesa, discorrem sobre esse aspecto da língua inglesa, o de ser falada no mundo todo por diferentes comunidades que precisam se comunicar, buscando uma neutralidade de sotaques e gírias para que falantes não nativos cheguem a um denominador comum para a comunicação.   Preparar os alunos para enfrentar essa realidade é fundamental. Lembrar que não existe um único código, uma única maneira de falar inglês, um único sotaque a ser considerado o correto, é essencial.

Qual a variante correta de língua inglesa para o ensino?

Respeitar as diferentes variantes e características culturais é fundamental para a comunicação. Ao considerar a aprendizagem de língua materna, parece natural que existam variações, pois somos um país rico em características singulares que definem cada cultura local e cada variante linguística. Diferenciamos naturalmente um gaúcho de um mineiro ou de um carioca. Na língua estrangeira, especialmente o inglês, essa variação carrega uma amplitude ainda maior, dado o número de falantes nativos e não nativos que existem hoje. Sendo assim, nao existe a variante correta para ensinar em sala de aula, como em qualquer outra língua, mesmo a nossa língua portuguesa, não existe o sotaque perfeito ou o mais correto.  Existem variantes que decorrem do ambiente, da cidade, da cultura, do contexto. Mas nenhuma variante está errada em sua pronúncia ou escolha vocabular.

Nas palavras de Falcão,

“É, então, fundamental que o professor compreenda essa relevância e repasse para o aluno a ideia de que não existe a variante ‘certa’ ou ‘errada’, e que não se deve aprender apenas esta ou aquela variação por ser mais popular, ou menos transmitida pelas mídias sociais.”

Carvalho explica e aconselha:

“A meu ver, esse preconceito em torno das diversidades da língua resulta, em parte, do contato inicial do estudante com o seu instrutor, seja qual for sua tendência linguística. Empatia, segurança, prestatividade e até mesmo um bom timbre de voz influenciam na compreensão, por isso é comum estranhar a pronúncia de um falante que não tenha todas essas qualidades. Desvincule-se de todo preconceito e vício. Não entre nessa de ficar escolhendo com quem gostaria de conversar ou o que ouvir. Na época em que vivemos, marcada pela globalização econômica e cultural, devemos estar preparados para falar (e ouvir) o mundo.”

Somos seres únicos, cheios de singularidades

É importante considerar que cada um de nós possui uma singularidade riquíssima de valores e vivências. E ao nos comunicarmos com outras pessoas, estrangeiros ou não, estamos entrando em contato com essa ampla gama de características, crenças, valores, histórias que vêm junto com a fala, no ato da comunicação. Utilizar uma língua internacional é importante para acessar e entrar em contato com o mundo todo, mas lembrar que essas singularidades estão presentes e devem ser respeitadas é fundamental na comunicação por meio da língua inglesa.  Como afirma Morin, “A humanidade é ao mesmo tempo una e múltipla. Sua riqueza está na diversidade das culturas, mas podemos e devemos nos comunicar dentro da mesma identidade terrestre.” Pertencemos ao mesmo planeta e podemos nos comunicar com o mundo todo por meio dessa língua franca, o inglês, basta que respeitemos e estejamos abertos para compreender toda a bagagem riquíssima que acompanha o contato com o outro.

CARVALHO, Ulysses Britânico ou Americano, qual dos dois devo estudar? Disponível em: http://www.teclasap.com.br/britanico-ou-americano/ Acesso em 19/09/2017.

FALCÃO, Cristiane Vieira; DA SILVA, Ewerton Felix. AS VARIANTES DA LÍNGUA INGLESA EM SALA DE AULA: UMA ABORDAGEM DIDÁTICO-PEDAGÓGICA. Disponível em http://www.editorarealize.com.br/revistas/eniduepb/trabalhos/Modalidade_6datahora_04_10_2013_21_39_59_idinscrito_1682_8ee55d2ec117a4d0d317dc314b53fa50.pdf            Acesso em 19/09/2017

 

GIMENEZ, T.; CALVO, L. C. S.; EL KADRI, M. S. et al. (2015). Inglês como língua franca: desenvolvimentos recentes. Disponível em:<http://www.scielo.br/pdf/rbla/v15n3/1984-6398-rbla-15-03-00593.pdf> Acesso em: 20 de abril de 2020.

 

MORIN, Edgar. Os Sete Saberes necessários à Educação do Futuro. 3.ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNESCO,2001.

 

RAJAGOPALAN, Kanavillil. O inglês como língua internacional na prática docente. In: LIMA, Diógenes Cândido de. (org.) Ensino e aprendizagem de Língua Inglesa – conversas com especialistas. São Paulo: Parábola Editoria, 2009.

 

RITCHIE, Harry. It’s time to challenge the notion that there is only one way to speak English. Disponível em: https://www.theguardian.com/books/2013/dec/31/one-way-speak-english-standard-spoken-british-linguistics-chomsky

 

 

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