10/05/2021 - Educação Física, Ensino Religioso, História

Os negros são racistas?

 

Palavras-chave:

Racismo; Educação antirracista.

 


 

Olá Professores

 

Vocês já ouviram ou disseram a frase que dá título a este post? Você concorda com ela? É muito comum ouvirmos frases como essa ao falamos sobre racismo. Mas, antes de concordar ou não com ela, que tal uma reflexão?

Vamos começar lembrando a influência das teorias racialistas do século XIX, que disseminaram “no tecido social brasileiro, o ideal da superioridade da raça branca e incentivou de forma contundente o negro a resignar-se diante de sua inferioridade” (ALVES, 2018, p. 75). A partir destes ideais a sociedade brasileira passa a ser idealizada pelo branqueamento, e a miscigenação se torna uma ferramenta para alcançá-lo, ou seja, se difunde a ideia de que quanto mais branca a sociedade maiores serão as chances de “evolução” e “civilização” dela.

 

Leia sobre teorias racialistas no artigo “Teorias raciais no Brasil: um pouco de história e historiografia”, escrito por Diego Uchoa de Amorim, clicando aqui.

 

Portanto, o ideal e desejado é ser branco ou parecer o quanto for possível com pessoas brancas, de acordo com Jacques d’Adesky, “Desejos de ser (branco), desejos de não ser (negro), desejos de aparentar (branco). E, na medida em que esses desejos representam valores (poder, beleza), eles manifestam uma relação hierarquizada entre um elemento (branco) do conjunto e as outras categorias (negro, jambo, sarará, etc.) desse mesmo conjunto” (d’ADESKY, 2001, p. 137).

 

Você sabia que o tema teorias raciais do século XIX são conteúdo das aulas de História, para o 8º ano, veja possibilidades para abordar essa temática lendo o artigo “Plano de aula: As teorias raciais do século XIX e o racismo na sociedade atual”, publicado pelo site Nova Escola, clicando aqui.

 

Por consequência “o que ocorre é que, em vez de fazer referência a si próprios como negros, afro-brasileiros ou afrodescendentes, a tendência manifestada pelas pessoas é a de tentar retratar a si próprios com diferentes tonalidades de pele, usando tonalidades mais claras, o que sugeriria o embranquecimento. O processo de negação da sua origem étnica é aceito pela sociedade e certas tonalidades de cor pele (mais claras) estão associadas a status dentro da sociedade brasileira” (d’ADESKY, 2001, p. 137).

 

Veja o que dizem outros pesquisadores das relações étnico-raciais. Vejamos o Kabengele Munanga* argumenta:

 

Para baixar a imagem em PDF basta clicar aqui.

 

Outra importante voz sobre o assunto é Nilma Lino Gomes**:

 

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Para a pesquisadora Jerusa Paulino da Silva, o processo de rejeição de si inicia muito cedo “as crianças negras, ainda na educação infantil, iniciam o processo de autorrejeição do seu fenótipo enquanto as crianças brancas ou assemelhadas à branca iniciam o processo de rejeição do outro diferente da internalização de estereótipos inferiorizantes”. (SILVA, 2010 apud ALVES, 2018, p. 75).

Muitas são as ferramentas de domínio que garantem a manutenção deste ideal, mesmo nos dias de hoje, quando tanto já se avançou da representatividade negra. Muitas vezes, a própria linguagem garante sua perpetuação, de modo aparentemente “invisível”. Como é o caso da frase: “Os próprios negros são racistas”.

Como já dissemos no post “Racismo: ainda precisamos falar sobre isso?”, nós aprendemos a ser racistas, deste de muito pequenos somos inseridos nestas ideias. Assim como aprendemos a ser racistas, podemos desaprender, para isso é preciso inicialmente questionar a forma como nossa sociedade está estruturada, buscar entender que as identidades raciais são aprendidas, elas são resultado do modo como escolhemos viver, agir no mundo, pensar sobre ele [1].

Portanto, para promover uma educação antirracista é preciso reconhecer que o racismo existe em todas as esferas sociais, e também na escola.

Entendo a importância dessa temática, a Assessoria de Áreas, do Sistema de Ensino Aprende Brasil, desenvolverá, ao longo dos próximos meses, cursos, debates, leituras e propostas de ações que tem como objetivo principal propiciar ampliação na formação dos professores da Educação Básica sobre a Educação das Relações Étnico-Raciais.

 

 

Fique atento em breve vamos compartilhar a programação completa do evento, assim como continuaremos escrevendo diversos posts para aprofundar nosso debate.

 

 

Equipe Assessoria de Educação Física, Ensino Religioso e História

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Referências:
ALVES, Samanta dos Santos. Letramento racial crítico e práticas educacionais no ensino fundamental do município do Rio de Janeiro: a formação continuada de professores da sala de leitura e suas narrativas. 2018. 160f. Dissertação (Mestrado) Centro de Federal de Formação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca, 2018. Disponível em: <http://dippg.cefet-rj.br/pprer/attachments/article/81/104_Samanta%20dos%20Santos%20Alves.pdf>. Acesso em: 05 de maio de 2021.
D’ADESKY, Jacques. Pluralismo étnico e multiculturalismo: racismos e anti-racismos no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2001.
GOMES, Nilma Lino. Alguns termos e conceitos presentes no debate sobre relações raciais no Brasil: uma breve discussão. In: BRASIL. Educação Anti-racista: caminhos abertos pela Lei federal nº 10.639/03. Brasília, MEC, Secretaria de educação continuada e alfabetização e diversidade, 2005. p. 39 – 62. Disponível em: <https://www.geledes.org.br/wp-content/uploads/2017/03/Alguns-termos-e-conceitos-presentes-no-debate-sobre-Rela%C3%A7%C3%B5es-Raciais-no-Brasil-uma-breve-discuss%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 05 de maio de 2021.
* Kabengele Munanga é um antropólogo e professor brasileiro-congolês. É especialista em antropologia da população afro-brasileira, atentando-se a questão do racismo na sociedade brasileira. Kabengele é graduado pela Université Oficielle du Congo e doutor em Antropologia pela Universidade de São Paulo.
** Nilma Lino Gomes é uma pedagoga brasileira. Tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade pública federal, ao ser nomeada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, em 2013. Tem se posicionado, frequentemente, na luta contra o racismo no Brasil.
[1] SCHUCMAN, Lia Vainer. Sobre o lugar do branco na luta anti-racista. Publicado em: 25/09/2018. Disponível em: <https://catarinas.info/colunas/sobre-o-lugar-do-branco-na-luta-anti-racista/>. Acesso em: 05 de maio de 2021.

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